sexta-feira, 3 de agosto de 2012

PERCURSO RIO PARDO – SANTA CRUZ DO SUL - PROPOSTA PEDAGÓGICA


TRABALHO DE CAMPO

Saímos de Porto Alegre às 7h10min da manhã do dia 21/07/2012, o ônibus que nos levou é da empresa RPM, apanhou o grupo na rótula que fica atrás do Instituto de Educação, uma escola bonita em estilo neoclássico. Este Colégio fica na Av. Osvaldo Aranha, paralelo com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. No seu entorno há uma praça com muitas árvores e vegetação. Partimos em direção à BR 116, logo em seguida transpusemos a ponte do Guaíba percorrendo a BR 290, ao longo do percurso, lá do alto da ponte Getúlio Vargas (Guaíba), avistamos o lago Guaíba, majestoso com suas saliências e reentrâncias serpenteando com suas águas tranquilas que margeiam a cidade de Porto Alegre. Que belo! Um grande espetáculo ao amanhecer.

Instituto de Educação
Ao longo do caminho encontramos áreas rurais, lavouras de arroz, campos com pastagens e animais. Avistamos também neste percurso alguns trechos urbanos com grandes plantações de eucaliptos, alguns pinheiros e pequena mata nativa. A paisagem geográfica modificava-se constantemente, vimos algumas residências com pomares domésticos com laranjas e bergamotas. Passamos pela cidade de Butiá e observamos algumas urbanizações, encontramos apenas campos margeando a estrada, algumas casas e um posto de gasolina da Petrobras, um vilarejo. Passamos em Minas do Leão e encontramos campos com belas paisagens, pastagens e bovinos. Ao longo da estrada avistamos comércios e uma escola denominada Getúlio Vargas.

Entramos em Pântano Grande, a paisagem geográfica é agrária, uma colonização antiga preservando a cultura do plantio. 

Localização da cidade de Rio Pardo, RS.
Finalmente entramos na estrada que dá acesso a Rio Pardo, primeira área a ser ocupada (pelos colonizadores), atividade econômica com dinamização da região. Passamos em frente a Cabanha Capão do Açude, fazenda Ipolonia, só campo e um belo açude, adiante encontramos um lago com uma ilha e o gado pastando. Do outro lado avistamos um silos; passamos sobre a ponte do Rio Pardo. Encontramos fábricas da Bistex, Superpan, empresa Isabela. Entrando em Rio Pardo, passamos em frente ao Instituo Estadual Ernesto Alves, Casario em estilo colonial português (1909).

Chegamos à primeira rua calçada pelos escravos denominada rua da ladeira, por onde passou Dom Pedro I. Casario em estilo colonial português (1904), todas situadas na rua Gal. Neves, ilustre militar Rio-pardense Barão do triunfo-vanguardeiro herói da guerra do Paraguai (1807-1869). Observando esta Rua em Rio Pardo com este Casario em estilo colonial português e este tipo de calçamento, vimos que se assemelha as ruas de Ouro Preto em Minas Gerais. Passamos em frente ao espaço Cultural Panatieri, hoje Dr. Júlio de Castilhos, observamos Casario em estilo colonial português com presença de senzalas. Este acervo histórico necessita com urgência manutenção e reforma para preservar a sua memória.

A Igreja Matriz de Rio Pardo Nossa Senhora do Rosário, foi projetada pelo engenheiro Coronel Francisco João Roscio (que integrou uma Comissão de demarcação de fronteiras). Essa igreja foi construída com pedras irregulares e revestimento feito com areia, cal e óleo de baleia. Francisco João Roscio era natural da Ilha da Madeira e formado em Engenharia pela Academia Militar de Lisboa. Além da Igreja de Rio Pardo ele teria projetado as igrejas São Francisco de Paula (1759) e a Igreja da Candelária (1775), localizadas no Rio de Janeiro. Essas igrejas revelam coerência formal com igrejas lisboetas, como a Matriz da Estrela de Lisboa (1779-90) ou com a Igreja das Mercês (1760-70) ou com a Igreja dos Paulistas, e ainda com a Igreja de São Roque, ambas em Lisboa.

Esta igreja foi inaugurada em 03 de outubro de 1779 pelo Cel. Marcelino Figueiredo, governador do estado do Rio Grande de São Pedro. Era uma construção rústica, foi restaurada em 1930, após ter passado por um incêndio. Seu estilo é o Barroco Tardio português. O piso desta igreja é de mosaico em forma de floral em tons de verde, marrom e bege. No altar Mor está a imagem de Nossa Senhora do Rosário, do outro lado, há uma pequena sala onde se encontra a imagem de Jesus Cristo morto, toda ela esculpida em madeira, no tamanho natural de uma pessoa.

Na igreja Nossa Senhora do Rosário está o túmulo do Barão do Triunfo, à direita da porta principal. À esquerda, se encontra o túmulo do bispo da paróquia. É uma construção rústica. Em 1801 foi celebrada a primeira missa na nova matriz, maior e mais imponente, cuja construção se deu pouco a pouco. Possui sete altares e valiosas relíquias de arte sacra.

Estivemos em frente ao Museu Municipal Barão de Santo Ângelo, casa do almirante Alexandrino Simões. Era açoriano, tinha cinco filhas e um filho. Alexandrino nasceu aqui nesta casa em 1848. A casa tem senzalas com janelas pequenas.

O Museu Barão de Santo Ângelo é um dos cartões postais da histórica cidade de Rio Pardo e um marco da cultura do Rio Grande do Sul. No prédio de arquitetura colonial portuguesa, datado do final do século 18, nasceu o famoso Almirante Alexandrino, que reformou a Marinha Brasileira, e antepassados do ex-presidente Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco. João Cândido era da casa.

Partindo em direção ao Centro da cidade, encontramos uma casa com azulejo português nas paredes, situada na Rua Arthur Falkembach. Em seguida, fomos numa pracinha em frente à igreja de São Francisco, onde se encontra os canhões da guerra do Paraguai. A Praça da Cruz do Barro Vermelho é o local onde ocorreu o maior combate da Revolução Farroupilha.

Em seguida nos posicionamos em frente à Igreja São Francisco. Foi construída pela ordem III de São Francisco. Rio Pardo era uma cidade rica, grande centro Comercial, perto do Porto dos Casais e Rio Grande fica na saída do mar. O Capitão Rodrigo vinha de Cruz Alta fazer compras em Rio Pardo. João de Deus Menna Barreto contribuiu para a construção desta igreja.

Rio Pardo é uma cidade no interior do Estado com três Igrejas, a do Rosário, São Francisco e São Nicolau. A de São Francisco, a família Simões Filho ajudou a construir. A igreja do Senhor dos Passos, o Bispo recebe autorização, para colocar a lápide do Barão de Santo Ângelo na frente da igreja em 23/10/1831. Famílias Imperiais (Barão do Triunfo), famílias republicana (Sebastião, o poeta). A Pacificação de Rio Grande existiu.

Rio Pardo, entreposto comercial importante com pujança econômica. Com casario de 200 a 300 anos, havendo um turismo com monopólio. Observamos a partir deste momento que Rio Pardo “Parou no tempo”, necessitando de uma reforma em todo o seu acervo histórico que, por sinal, é lindíssimo.

Visitamos a sede da Corsan num ponto alto da cidade, situado no Forte Jesus Maria José, aqui começou a construção da cidade através deste Forte Militar, foi nesta fortaleza que surgiu em 1750 em decorrência do Tratado de Madrid e sob o comando de Rafael Pinto Bandeira a história de Rio Pardo. Barreiras instaladas às invasões Espanholas, este forte conferiria à cidade de Tranqüila Invicta, lembrança, verdade, luta e coragem do povo.

Nosso percurso a Rio Pardo e Santa Cruz do Sul, nos fez lembrar a época em que os viajantes como Auguste de Saint-Hilaire, Nicolau Dreys, Isabelle Arceni e outros, percorriam no lombo de mulas ou jegues para fazer uma análise da paisagem geográfica no Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo faziam um estudo da fauna e flora, também analisavam o modo de vida dos moradores de cada localidade, comentavam sobre a economia dos locais, analisavam os cultivos agrícolas. Aparecem alguns comentários na obra de Saint-Hilaire como: “As amendoeiras, os pessegueiros, as ameixeiras, as macieiras, as pereiras e as cerejeiras, desenvolvem-se muito bem nos arredores de Porto Alegre, produzindo bons frutos; mas só um número reduzido de pessoas se dedicam a essas plantações e, em geral, as espécies trazidas para aqui são de qualidade inferior. Plantaram-se algumas oliveiras que produziram muito bons frutos, mas em pequena quantidade. A vinha medra muito bem; há quem fabrique vinho, mas de qualidade inferior e sem aceitação. As pessoas, embora pouco abastadas, usam o vinho generoso do Porto” (Hilaire, Sait Auguste, p. 34).

Vista Panorâmica da cidade de Santa Cruz do Sul, RS.
Saímos de Rio Pardo às 10h40min em direção a Santa Cruz. Fomos visitar a AFUBRA, (associação dos fumageiros), foi uma viagem de 12 minutos. Ao longo do caminho vêem-se belas paisagens com pastagens, avistamos as estufas que são utilizadas para a secagem do fumo. Antigamente os fumicultores tinham que virar a madrugada para cuidar do forno, hoje não, pois tudo é digitalizado, a tecnologia acompanha este trabalho. A cidade de Santa Cruz tem o fumo como sendo a maior fonte de renda do município.

Lavoura de Fumo, Santa Cruz do Sul, RS.
Localização da cidade de Santa Cruz do Sul, RS.

Logo chegamos a AFUBRA e fomos recebidos pelos palestrantes senhores Verne, Adalberto, Vicente e Marcos. O senhor Marcos nos disse que organizaram uma exposição sobre a AFUBRA explicando que é uma associação fundada em 21/03/1955 para os fumageiros, cujo objetivo é prestar auxílio às famílias dos plantadores de fumo, que hoje contam com vários produtores associados.

O fumo é plantado em todo o Brasil e de acordo com as informações da AFUBRA, 9 bilhões são para os cofres do governo, o restante vai para indústria varejista e produtores. O plantio oscila de região para região num ciclo de 2 meses. Paraná com 3 safras, o clima é propício da região sul até a África. O plantio veio dos EUA e aí começou a produção. Em relação ao plantio do feijão em 8 hectares, por exemplo, o fumo dá uma produção maior em valores monetários. Os jesuítas já plantavam o fumo e exportavam para a Europa. O fumo vem do índio como é o caso de fumar cachimbo. O Ministério da Saúde adverte: “Fumar faz mal à saúde”, mas não existe cultura que dê maior renda do que o fumo. A AFUBRA faz um trabalho de prevenção para o meio ambiente, coletando o óleo para o Biodiesel, da mesma forma, faz um trabalho de prevenção para que não haja exploração da mão de obra infantil.

Na fábrica de cigarros Souza Cruz e Fhilip & Moris, a mão de obra é manual, o trabalho de destalos do fumo é feito por famílias de baixa renda dos bairros carentes, moradores da zona sul da cidade.

Saímos da AFUBRA em direção ao centro de Santa Cruz, passamos pelo bairro Bom Jesus, considerado o mais violento da cidade, os comerciantes que aqui se instalaram, tiveram que ir para o centro da cidade. Na parte central da cidade está a sede social de Santa Cruz que hoje é hotel e também shopping. Na Rua Marechal Floriano há um túnel verde muito lindo onde está situado o Museu do Colégio Mauá que tem um acervo de 140 mil peças, onde estão objetos indígenas, instrumentos tais como: flechas, boleadeiras entre outros, brinquedos, casinha de boneca em miniatura pertencente à Cornélia Shineider, construída em 1938, serviu de brinquedo para muitas moradoras da cidade de Santa Cruz, havia bonequinhas e xícaras de porcelanas, uma caixa de música alemã do século XIX contendo 12 discos com músicas diferentes, entre as quais podemos citar Noite Feliz, Ave Maria e La Paloma (1876).

Neste Museu pode ser encontrada também, uma cadeira de dentista do período da colonização, bem como um estojo de maquiagem da época. Encontramos uma Cítara (arpa com corda), um livro considerado o menor do mundo, nele consta o “Pai Nosso” em vários idiomas, uma máquina registradora, tear, ferros de passar roupa do início do século XX, receitas de bolachas acompanhada de seus utensílios (jarras, bacias, xícaras) e vestuários da época, camas e cristaleiras antigas, fogões e máquinas de costura. Encontram-se as Igaçabas (urna funerária indígena), animais empalhados e lascas de pedras pré-históricas.

Saímos do museu e fomos em direção ao Parque da Cruz que mostra a vista panorâmica e geográfica da cidade onde aparece um pedaço da Mata Atlântica. No entorno de tudo isto há um casario antigo e moderno. Fomos em direção à Igreja Matriz de Santa Cruz, a maior em estilo neogótico da América Latina. O projeto original é do arquiteto Austro-germânico Simão Granlich que sofreu alterações em 1934.

Os primeiros alemães imigrantes desembarcaram em 25 de julho de 1824. Era um grupo de 38 imigrantes que chegaram à região demarcada, dando início à colonização alemã no estado do Rio Grande do Sul.

O centro urbano foi a cidade de São Leopoldo (homenagem a imperatriz Dona Leopoldina). O governo distribuiu lotes com 77 hectares para cada imigrante, instrumentos agrícolas e sementes. As propriedades eram distribuídas ao longo de uma picada aberta no mato, estes caminhos eram chamados de linha ou picadas. Em 1824 e 1830 vieram mais imigrantes alemães. Durante a Revolução Farroupilha, cessou a imigração, somente quando houve a pacificação é que retornaram a imigração. Em 1852, ao começar os conflitos com a Argentina, o governo recrutou brasileiros e alemães para engrossarem nosso exército. Dois mil soldados alemães lutaram contra Rosas, os chamados “Brummers”. Terminando a guerra, os alemães não quiseram retornar à Alemanha e se instalaram no Rio Grande do Sul, inclusive os nobres.

Em 1860 a Alemanha restringiu a imigração temendo que os transformasse em escravos brancos, com a unificação da Alemanha em 1871 este sistema cessou por completo. Neste período os Alemães se expandiram pelos vales dos rios dos Sinos, Caí, Taquari e pela encosta do planalto, fundando uma série de cidades como: São Leopoldo, Taquara, Monte Negro, Novo Hamburgo, São Sebastião, Estrela, Lajeado, Santa Cruz do Sul, Teutônia e outras. A imigração Alemã fez sucesso no Brasil.

A cidade de Rio Pardo e Santa Cruz têm algo em comum que são as lavouras, pecuária e turismo. Rio Pardo é uma cidade portuguesa com estilo Açoriano. Santa Cruz é uma cidade com descendência Alemã, tem pontos turísticos e lavouras de fumo, mas culturalmente diferem uma da outra.

PROPOSTAS PEDAGÓGICAS: RIO PARDO E SANTA CRUZ

1) Fazer uma comparação do Casario estilo colonial português de Rio Pardo com o Casarios de estilo colonial português de Ouro Preto em Minas Gerais.

2) Comparar as atividades econômicas de Rio Pardo usando o Rio Pardinho como um meio para a evolução da economia e também a evolução econômica de Santa Cruz através das fumageiras.

3) Fazer uma visita a estação da Corsan em Rio Pardo para analisar a captação d’água e o tratamento, bem como a distribuição para a população.

4) Analisar o turismo e o Rio Pardinho como fonte navegável para a evolução da cidade.

5) Fazer uma pesquisa através da fotografia e contar a história das duas cidades, Rio Pardo e Santa Cruz..

6) Analisar os pontos turísticos de Santa Cruz do Sul como: a Igreja matriz, O museu, as Fumageiras, a Cruz situada no ponto mais alto da cidade..

7) Pesquisar a gastronomia da cidade de Santa Cruz do Sul.

8) A Oktoberfest como evolução turística e econômica de Santa Cruz do Sul. Comente.

9) Na geografia de Rio Pardo e Santa Cruz do Sul existem algumas semelhanças como: Rio Pardinho, em Rio Pardo e a Barragem, em Santa Cruz do Sul. Estes dois aspectos contribuem para a evolução das cidades? Justifique. E quais os benefícios que são trazidos para as duas cidades.

10) Organizar com os alunos de 8ª série uma visita ao Museu do Colégio Mauá para pesquisar a colonização Alemã de Santa Cruz.

11) Como é feita a coleta de óleo saturado pela AFUBRA?

12) Qual o objetivo da AFUBRA com o projeto Biodiesel?

13) Solicitar aos alunos que façam uma análise do estilo neo-gótico em que foi construída a Igreja Matriz de Santa Cruz.

14) Localizar geograficamente no mapa do Rio Grande do Sul as cidades de Rio Pardo e Santa Cruz do Sul.

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